Tabaco e diversificação movimentam R$ 23,2 bilhões nas propriedades produtoras
Tabaco se destaca como a cultura mais rentável, representando em média 55,4% da renda das propriedades e ocupando somente 20,3% da área
1 de outubro de 2026

A renda das propriedades produtoras de tabaco alcançou R$ 23,2 bilhões na safra 2025/2026, segundo levantamento da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Os dados mostram que, embora o tabaco siga como a cultura mais rentável, a diversificação agrícola e pecuária tem papel crescente na composição da renda das famílias rurais.
🌱 Tabaco segue líder em rentabilidade O tabaco representou 55,4% dos ganhos totais das propriedades, somando R$ 12,8 bilhões e ocupando apenas 20,3% da área média das unidades produtivas. A relação entre área reduzida e alta rentabilidade reforça o peso econômico da cultura, especialmente em regiões de pequenas propriedades.

Segundo o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, essa característica ajuda a sustentar a permanência das famílias no campo:
“O tabaco é uma cultura consolidada, com cadeia estruturada e forte impacto econômico. O Sistema Integrado de Produção auxilia os produtores na gestão dos negócios e qualifica ainda mais as propriedades diversificadas.”
🌾 Diversificação é realidade no campo Os números mostram que os 136 mil produtores de tabaco também movimentam outras cadeias produtivas. Cultivos agrícolas além do tabaco geraram R$ 5,56 bilhões, o equivalente a 24% da renda das propriedades. A criação animal e os produtos granjeiros somaram R$ 4,78 bilhões, representando 20,6% do total.
As propriedades, com média de 14,71 hectares, apresentam mosaico produtivo composto por:
Pastagens: 17,3%
Soja: 16,1%
Milho: 10,5%
Mata para fins energéticos: 8,3%
Mata nativa: 14,8%
A distribuição reforça que a diversificação não é apenas recomendação técnica — ela já faz parte da rotina produtiva.

📜 Quatro décadas de incentivo à diversificação A diversificação no setor tem trajetória consolidada. Criado em 1985, o antigo Programa Milho e Feijão estimulava o cultivo de grãos após a colheita do tabaco, aproveitando a adubação residual e ampliando a renda dos pequenos produtores.
Em 2014, o programa passou ao comando do SindiTabaco, expandindo sua atuação no Sul do Brasil. Em 2017, passou a incluir também o incentivo às pastagens, adotando o nome Programa Milho, Feijão e Pastagens.
A partir de 2025, ganhou novo posicionamento e passou a se chamar Tabaco é Agro: Diversificação das Propriedades, reforçando o objetivo de ampliar alternativas produtivas e valorizar práticas sustentáveis antes, durante e depois do cultivo do tabaco.
A coordenadora do programa, Fernanda Viana Bender, destaca a evolução contínua:
“O que começou com milho e feijão hoje contempla diferentes culturas, criações e formas de uso da terra. A diversificação convive com o tabaco e contribui para a renda e para o aproveitamento dos recursos disponíveis.”
🌍 Diversificação também é sustentabilidade Além do impacto econômico, a diversificação traz benefícios ambientais e de manejo, como:
Proteção do solo por meio da rotação de culturas.
Melhor aproveitamento das áreas após a colheita do tabaco.
Geração de renda extra com diferentes cultivos e criações.
Produção de alimentos para consumo próprio e comercialização.
Planejamento do uso da terra conforme características de cada propriedade.
Conservação do solo e da água, reduzindo processos erosivos.
🔎 Uma cadeia que se reinventa Os dados da PEVS e do programa Tabaco é Agro mostram que a silvicultura e a diversificação agrícola seguem ampliando sua relevância econômica no Sul do Brasil. Para milhares de pequenos produtores, o tabaco permanece como pilar financeiro, enquanto a diversificação consolida novas oportunidades de renda e sustentabilidade.



