Acordo Mercosul-UE pode ampliar exportações de Goiás em US$ 208 milhões por ano, aponta Fieg
Estudo apresentado na Expoind 2026 estima potencial de geração de 23 mil empregos e aponta oportunidades para a indústria goiana, mas alerta para desafios da abertura comercial
4 de novembro de 2026

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia começa a redesenhar o cenário das exportações goianas. Um estudo apresentado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) durante a 3ª Expoind aponta que a redução gradual das tarifas entre os dois blocos poderá ampliar em US$ 208 milhões por ano as exportações do Estado, além de viabilizar a geração de aproximadamente 23 mil empregos ao longo dos próximos anos.
O levantamento, elaborado pela Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da Fieg, avalia os impactos da abertura comercial na economia goiana e identifica setores que poderão ser beneficiados pela ampliação do acesso ao mercado europeu, composto por milhões de consumidores de alto poder aquisitivo.
Em vigor desde 1º de maio de 2026, o Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia prevê a redução progressiva das barreiras tarifárias. O processo ocorrerá de forma escalonada, permitindo que empresas dos dois blocos se adaptem gradualmente às novas condições de mercado.
Segundo o analista de desenvolvimento industrial da Fieg, Saulo Nogueira, responsável pelo estudo, a tendência é de saldo positivo para Goiás. “O acordo abre um mercado enorme, com milhões de consumidores de elevado poder aquisitivo. São novas fronteiras para as exportações goianas”, afirmou.
Agroindústria lidera oportunidades
O estudo analisou 40 produtos distribuídos em 12 subsetores industriais, responsáveis por 99% das exportações consideradas no levantamento. Entre os segmentos com maior potencial de crescimento estão carnes bovina e de frango, açúcar, etanol, couro, alimentos processados e produtos químicos.
Um dos destaques é o mercado de aves inteiras congeladas. A projeção da Fieg aponta potencial de US$ 8,85 milhões anuais em exportações adicionais após quatro anos de redução tarifária. Atualmente, Goiás não exporta esse produto para a União Europeia, apesar da existência de demanda em países como Espanha, França e Alemanha.
Além do aumento das exportações, a entidade avalia que o crescimento da produção poderá impulsionar toda a cadeia produtiva, ampliando a demanda por fornecedores, matérias-primas, serviços e mão de obra.
“Quando aumenta a procura pelos nossos produtos, cresce a necessidade de produção e, consequentemente, a contratação de trabalhadores”, explicou Nogueira.
Abertura também ampliará importações
O acordo, contudo, não beneficia apenas os exportadores. A pesquisa estima que as importações goianas poderão aumentar cerca de US$ 190 milhões por ano após a implementação completa da redução tarifária. Os principais impactos deverão ocorrer nos segmentos farmacêutico, de máquinas e equipamentos industriais e de equipamentos de transporte.
Para a indústria, a expectativa é de acesso mais barato a máquinas, insumos e tecnologias europeias, contribuindo para ganhos de produtividade e modernização dos processos produtivos.
A gerente de internacionalização da Fieg, Juliana Tormin, avalia que essa abertura pode aumentar a competitividade das empresas locais.
“Um dos principais benefícios é a possibilidade de importar máquinas e insumos a custos menores, agregando inovação, tecnologia e competitividade à produção goiana”, destacou.
Competitividade será desafio
Se as oportunidades são promissoras, os desafios também são significativos. Enquanto empresas europeias possuem tradição no comércio internacional, muitas indústrias goianas ainda concentram suas operações no mercado doméstico.
De acordo com Juliana Tormin, conquistar espaço na Europa exigirá investimentos em inovação, adequação de produtos e cumprimento de rigorosas normas sanitárias, técnicas e ambientais exigidas pelos países do bloco europeu.
Entre os setores com potencial para ampliar presença internacional estão agroindústria, vestuário, cosméticos e produtos de couro. A expectativa é que a redução das tarifas incentive tanto empresas estreantes no comércio exterior quanto aquelas que já exportam e desejam diversificar mercados.
Programa de internacionalização
Para preparar o setor produtivo para esse novo cenário, a Fieg anunciou o lançamento, previsto para novembro, de um programa de internacionalização voltado às indústrias goianas.
A iniciativa oferecerá capacitações, consultorias, estudos de mercado, missões comerciais e rodadas de negócios. O trabalho começará com um diagnóstico para identificar o nível de maturidade internacional de cada empresa e construir trilhas de desenvolvimento específicas para seus objetivos.
Segundo Juliana Tormin, o programa pretende acompanhar empresários desde as primeiras etapas até a concretização das exportações.
“Queremos orientar as empresas do início ao fim do processo, ajudando a transformar oportunidades em negócios concretos”, afirmou.
Estudo aponta oportunidades e riscos
Intitulado O Acordo Mercosul-União Europeia: impactos na indústria goiana, o estudo está dividido em quatro eixos: impactos econômicos e comerciais, potencial de crescimento das exportações, regras comerciais e regulatórias, além de temas relacionados à sustentabilidade, propriedade intelectual, investimentos e cooperação internacional.
O documento alerta que exigências ambientais, sanitárias e técnicas impostas pelo mercado europeu podem representar obstáculos para parte das empresas brasileiras. Também são analisadas questões como regras de origem, mecanismos de defesa comercial, compras governamentais e critérios de sustentabilidade.
A Fieg informou que continuará monitorando a implementação do acordo para identificar dificuldades enfrentadas pelas empresas e contribuir para a superação de eventuais barreiras regulatórias e comerciais.
A apresentação completa do levantamento ocorreu durante a 3ª Expoind, realizada entre os dias 27 e 29 de outubro, no Centro de Convenções de Goiânia. O evento reuniu mais de 80 expositores e promoveu debates voltados à inovação, tecnologia, negócios e comércio exterior.
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