PF inaugura laboratório para rastrear origem do ouro e combate ao garimpo ilegal na Amazônia
Plano AMAS conta com R$ 318,5 milhões do Fundo Amazônia para ampliar ações de inteligência, fiscalização e repressão ao crime organizado, com atuação da PF, PRF, Força Nacional e governos estadual
3 de novembro de 2026

A Polícia Federal inaugurou nesta terça-feira (3) o Laboratório de Geoquímica Forense para Rastreabilidade Mineral, estrutura que permitirá identificar a origem do ouro por meio de análises científicas e ampliar o combate ao garimpo ilegal e aos crimes ambientais na Amazônia.
A iniciativa integra o Programa Ouro Alvo, financiado pelo Fundo Amazônia dentro do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Amas). O plano conta com R$ 318,5 milhões para fortalecer ações de inteligência, fiscalização e repressão ao crime organizado na Amazônia Legal, com participação de órgãos federais e estaduais de segurança pública.
O novo laboratório utilizará análises geoquímicas e isotópicas para criar um banco de dados com características das jazidas brasileiras. A partir dessas informações, peritos poderão comparar amostras de ouro apreendido e identificar sua procedência, produzindo evidências que auxiliem investigações e operações de fiscalização.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a medida amplia a capacidade do Estado de enfrentar organizações criminosas envolvidas na exploração mineral irregular.
“O combate ao garimpo ilegal na Amazônia é uma prioridade do governo do presidente Lula. A identificação do ‘DNA do ouro’ fortalece a rastreabilidade do mineral, dificulta a ação de organizações criminosas e amplia a capacidade de fiscalização”, afirmou.
O projeto recebeu investimento de R$ 49,7 milhões para aquisição de equipamentos especializados, materiais de laboratório e estruturas destinadas à preparação, análise e armazenamento de amostras minerais e de mercúrio. A estrutura está vinculada ao Instituto Nacional de Criminalística (INC), da Polícia Federal, em Brasília.
Para o secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Adalberto Maluf, a nova tecnologia permitirá atingir não apenas os executores das atividades ilegais, mas também as redes de financiamento do garimpo clandestino.
“Precisamos ir além das operações pontuais e alcançar o poder econômico que financia essas atividades criminosas. Com ciência, tecnologia e integração das políticas públicas, poderemos atuar de forma mais efetiva”, destacou.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, ressaltou que o laboratório representa um avanço estratégico para o enfrentamento dos crimes ambientais.
“Estamos chegando à COP31 com quatro anos consecutivos de redução do desmatamento. Este laboratório é uma das grandes conquistas desse esforço conjunto”, afirmou.
Plano Amas amplia presença das forças de segurança
Criado em 2023, o Plano Amazônia: Segurança e Soberania reúne ações voltadas à prevenção e ao combate ao desmatamento ilegal e aos crimes associados à degradação florestal. A estratégia é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e busca integrar a atuação das forças federais e estaduais na Amazônia Legal.
Além da estruturação do Programa Ouro Alvo, os recursos do Fundo Amazônia financiam aeronaves, helicópteros, lanchas blindadas, drones, viaturas e equipamentos de inteligência destinados à Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional de Segurança Pública e às corporações dos nove estados da região.
De acordo com Humberto Freire de Barros, diretor da Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal, a capacidade de rastrear a origem do ouro permitirá produzir provas científicas mais robustas contra atividades ilegais ligadas à mineração.
“Estamos fortalecendo a capacidade da Polícia Federal de rastrear a origem do ouro, produzir provas científicas e combater os crimes ambientais”, afirmou.
Fundo Amazônia alcança mais de 500 municípios
O combate ao garimpo ilegal faz parte de uma estratégia mais ampla do Fundo Amazônia, que também apoia ações de monitoramento ambiental, regularização fundiária, prevenção a incêndios florestais, bioeconomia e geração de renda sustentável.
Criado em 2008, o Fundo Amazônia acumula R$ 5,3 bilhões em doações e já aprovou 160 projetos. Sua atuação alcança mais de 500 municípios, cerca de 73% dos municípios da Amazônia Legal, beneficiando terras indígenas, unidades de conservação, organizações da sociedade civil e populações locais.
Atualmente, o Fundo conta com recursos provenientes de nove doadores internacionais: Noruega, Alemanha, Reino Unido, União Europeia, Estados Unidos, Suíça, Dinamarca, Irlanda e Japão.
Com a inauguração do laboratório, o governo federal aposta em uma nova frente de atuação baseada em ciência e inteligência para dificultar a comercialização de ouro extraído ilegalmente e fortalecer o combate às organizações criminosas que atuam na Amazônia.
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