SÉCULONEWS

Preservando o futuro | Informando o presente

Assinar Newsletter
Meio Ambiente

Catálogo reúne cerca de 1.300 espécies de plantas e amplia conhecimento sobre a flora do litoral do Paraná

Levantamento incorporado ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro confirma 854 espécies na unidade e registra pela primeira vez no Sul do Brasil a orquídea Bulbophyllum campos-portoi

22 de outubro de 2026

Catálogo reúne cerca de 1.300 espécies de plantas e amplia conhecimento sobre a flora do litoral do Paraná

O Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PNSHL), localizado no litoral do Paraná, passou a integrar o Catálogo de Plantas das Unidades de Conservação do Brasil, mantido pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), com o registro de 1.295 espécies de plantas. O levantamento é considerado um dos mais abrangentes já realizados na unidade e representa um avanço importante para o conhecimento, manejo e conservação da Mata Atlântica na região.

Grande parte das informações reunidas no catálogo foi produzida pelo projeto Estudos da Restauração – Pesquisa, Estruturação e Planejamento, financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP). A iniciativa recebeu cerca de R$ 750 mil em investimentos para fortalecer a conservação da unidade e apoiar a cadeia da restauração ecológica no litoral paranaense.

Executado pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, o projeto foi responsável pela confirmação de 854 espécies registradas no catálogo, o equivalente a aproximadamente 66% de todas as espécies listadas para o parque.

Segundo o coordenador do projeto, Daniel Miller, o levantamento florístico foi desenvolvido pela equipe de pesquisadores durante trabalhos de campo realizados na unidade, enquanto o pedido formal para inclusão das informações no catálogo foi encaminhado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela gestão do parque.

Mais de mil amostras coletadas

Ao longo de cerca de um ano e meio de pesquisas, os especialistas percorreram diferentes áreas do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange e coletaram 1.123 amostras botânicas.

O material passou a integrar coleções científicas de herbários paranaenses e de outros estados. As amostras foram depositadas no Herbário Escola de Florestas Curitiba (EFC), com duplicatas destinadas a instituições como o Herbário do Museu Botânico Municipal de Curitiba (MBM), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

Além das coletas recentes, os pesquisadores revisaram registros históricos preservados em coleções botânicas, reunindo informações acumuladas ao longo de 115 anos de estudos sobre a flora da Serra da Prata. O exemplar mais antigo incorporado ao levantamento data de 1911 e corresponde à orquídea Acianthera pubescens, coletada pelo botânico sueco Per Karl Hjalmar Dusén.

Diversidade impressiona pesquisadores

O catálogo revela a grande riqueza biológica existente no parque. Entre as plantas com flores, a família mais representativa é a Orchidaceae, com 127 táxons registrados, seguida por Myrtaceae (75), Fabaceae (49), Melastomataceae (46), Rubiaceae (45), Asteraceae (43) e Lauraceae (36).

Entre as samambaias e espécies relacionadas, destacam-se as famílias Polypodiaceae, Dryopteridaceae e Hymenophyllaceae. Já entre os musgos e outras briófitas, as famílias Lejeuneaceae, Dicranaceae e Pilotrichaceae apresentam maior diversidade.

A riqueza florística está associada à ampla variação ambiental existente na unidade de conservação. Com cerca de 24,3 mil hectares, o parque abrange áreas dos municípios de Guaratuba, Matinhos, Morretes e Paranaguá.

Publicidade

Publicidade

Em uma extensão superior a 36 quilômetros, o relevo varia desde áreas próximas ao nível do mar até regiões que alcançam quase 1.500 metros de altitude na Torre da Prata. Essa característica favorece a ocorrência de diferentes formações vegetais da Mata Atlântica, incluindo florestas ombrófilas densas, campos de altitude e vegetação rupestre.

Orquídea inédita no Sul do Brasil é registrada

As pesquisas também resultaram em descobertas inéditas. Em maio de 2025, pesquisadores registraram pela primeira vez no Paraná e na Região Sul do país a ocorrência da orquídea Bulbophyllum campos-portoi.

A espécie foi encontrada nas proximidades do Salto do Tigre, em Matinhos, ampliando o conhecimento sobre sua distribuição geográfica. A planta se diferencia por apresentar flores verdes e labelo castanho com pontuações púrpuras, características que facilitam sua identificação em relação a outras espécies do mesmo gênero.

Cooperação fortalece conservação

O projeto Estudos da Restauração teve como foco fortalecer as unidades de conservação e a restauração ecológica no litoral do Paraná. Entre as atividades desenvolvidas estão levantamentos florísticos, pesquisas sobre espécies raras e ameaçadas, estudos sobre interação entre plantas e fauna, fortalecimento de viveiros florestais, coleta e distribuição de sementes e elaboração de estratégias para recuperação ambiental.

Os resultados são fruto da atuação conjunta de diversas instituições, entre elas o Mater Natura, o Museu Botânico Municipal de Curitiba, o Herbário Escola de Florestas Curitiba, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e o ICMBio.

De acordo com Daniel Miller, a continuidade do projeto deverá ampliar os conhecimentos sobre os ciclos de vida das espécies nativas, aprimorar técnicas de produção de mudas de plantas ameaçadas e fortalecer ações de restauração ecológica e conservação da biodiversidade na Mata Atlântica paranaense.

Investimento em conservação

Criado em 2021, o Programa Biodiversidade Litoral do Paraná atua no fortalecimento da conservação ambiental e do desenvolvimento sustentável da região. A iniciativa é financiada com recursos do Termo de Acordo Judicial firmado após o vazamento de óleo ocorrido em 2001, destinando mais de R$ 110 milhões a projetos ambientais até 2031.

O programa reúne organizações da sociedade civil, instituições de ensino e órgãos governamentais, com gestão financeira e operacional realizada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).

Leia também