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Conhecer uma fábrica na China pode valer mais do que horas de negociação

Visitas presenciais ampliam a leitura sobre qualidade customização escala e potencial de desenvolvimento com fornecedores

19 de setembro de 2026

Gustavo Braz, CEO do Grupo PMD, diz que a visita presencial ao chão de fábrica chinês reduz riscos e gera produtos exclusivos.
Gustavo Braz, CEO do Grupo PMD, diz que a visita presencial ao chão de fábrica chinês reduz riscos e gera produtos exclusivos.Foto: Divulgação

A 139ª Feira de Cantão, realizada entre abril e maio de 2026 em Guangzhou, voltou a demonstrar a força da China como polo global de fornecimento industrial. O evento recebeu 314 mil compradores estrangeiros, provenientes de 220 países e regiões, o maior número já registrado. Segundo o Ministério do Comércio chinês, os pedidos pretendidos somaram US$ 25,7 bilhões, e muitos visitantes já deixaram o pavilhão com viagens agendadas para conhecer fábricas.

Para Gustavo Braz, CEO do Grupo PMD, que atua em importação e desenvolvimento empresarial, o movimento confirma uma tendência: a busca presencial por fornecedores continua decisiva para quem pretende importar com segurança e diferenciação. “Foto, catálogo e conversa por WhatsApp mostram o que o fornecedor quer apresentar. Dentro da fábrica, o empresário vê o que a empresa realmente consegue fazer”, afirma. O executivo ressalta que “muitas oportunidades surgem justamente nesse contato, observando máquinas, materiais, testes e soluções que nem estavam na negociação inicial”.

Visita técnica como ferramenta estratégica

A ida ao chão de fábrica permite ao importador avaliar pontos que não aparecem em catálogos: organização da linha de produção, processos de controle de qualidade, capacidade instalada, matérias-primas e nível de automação. Também possibilita comparar o discurso comercial com a estrutura real disponível para cumprir volume, prazos e especificações.

Esse cuidado ganha relevância diante da participação chinesa nas compras brasileiras. Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil importou US$ 51,56 bilhões em mercadorias do país asiático, alta de 9,5% sobre o mesmo período do ano anterior. A China já responde por 26,4% de tudo o que entra no mercado nacional.

Ao mesmo tempo, a indústria chinesa avança em sofisticação. Em 2025, o valor adicionado da manufatura de alta tecnologia cresceu 9,4%, enquanto a produção de equipamentos avançou 9,2%, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas da China. O país investiu ainda 3,9 trilhões de yuans em pesquisa e desenvolvimento, o equivalente a 2,8% do PIB.

O que a viagem revela além do catálogo

Com a evolução industrial, visitar fábricas pode abrir portas para soluções que não aparecem nas listas de exportação. Empresas especializadas em um item podem ter engenharia para alterar composição, medidas, acabamento, embalagem ou desempenho. Em alguns casos, desenvolvem modelos exclusivos a partir de demandas apresentadas por distribuidores brasileiros.

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“Quando existe contato direto com quem desenvolve e produz, o empresário deixa de perguntar apenas quanto custa e passa a questionar o que é possível fazer”, explica Gustavo. “Isso permite sair da comparação pura de preço e pensar em diferenciação, qualidade e marca própria.”

Segundo ele, o aprendizado adquirido na visita melhora a qualidade das negociações posteriores. O importador passa a avaliar propostas com referências mais concretas, mesmo quando o negócio não avança.

Presencial não substitui técnica, mas amplia visão

A experiência no chão de fábrica não elimina etapas essenciais da importação — como documentação, certificações, amostras, inspeções e contratos —, mas funciona como uma camada adicional de análise, especialmente para empresas que buscam relações de longo prazo ou linhas exclusivas.

“WhatsApp dá velocidade ao relacionamento, mas não substitui conhecer a capacidade de quem vai fabricar um produto que levará sua marca”, afirma Gustavo. “Em alguns dias dentro de fábricas, o empresário aprende sobre uma cadeia produtiva o que levaria meses negociando à distância.”

Decisão de compra mais informada

Com a indústria chinesa cada vez mais orientada por desenvolvimento, escala e especificação técnica, a visita presencial deixa de ser apenas uma etapa de relacionamento e se torna uma ferramenta estratégica. Para empresas brasileiras, conhecer de perto quem produz pode reduzir riscos, revelar oportunidades de diferenciação e ampliar a capacidade de tomar decisões de compra com mais informação.

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