Cibersegurança e instabilidade global desafiam o agronegócio
Síntese Global de Tendências em Auditoria Interna, apresentada pelo IIA Brasil, mostra que riscos tecnológicos, financeiros, regulatórios, climáticos e geopolíticos deixaram de atuar isoladamente e passaram a exigir uma nova abordagem para a gestão do agronegócio brasileiro
30 de setembro de 2026

O agronegócio brasileiro vive um momento de transformação profunda. A tradicional gestão de riscos baseada em clima, produtividade e preços das commodities já não é suficiente para lidar com o novo cenário. A digitalização acelerada, as exigências regulatórias, a volatilidade econômica e as incertezas geopolíticas estão entre os fatores que hoje se entrelaçam, exigindo uma abordagem integrada e mais sofisticada de governança.
🌐 Riscos que se conectam
A Síntese Global de Tendências em Auditoria Interna, apresentada pelo IIA Brasil, revela que os riscos tecnológicos, financeiros, regulatórios e climáticos deixaram de atuar isoladamente. O estudo, que reúne análises de instituições como PwC, KPMG, Deloitte e Jefferson Wells, mostra que 76% das organizações apontam a cibersegurança como o principal risco corporativo, seguida por disrupção digital e inteligência artificial (54%), mudanças regulatórias (49%) e incertezas geopolíticas e macroeconômicas (45%).
Esses fatores, segundo o IIA Brasil, têm impacto direto sobre o agronegócio nacional, que enfrenta maior seletividade de crédito, ampliação das exigências de rastreabilidade e sustentabilidade, dependência crescente de tecnologias digitais e exposição às oscilações cambiais.
“O agronegócio sempre foi reconhecido por sua capacidade de administrar riscos climáticos e de mercado. O que mudou é que esses riscos agora atuam simultaneamente”, explica Paulo Gomes, diretor do IIA Brasil. “O desafio é compreender como fatores econômicos, regulatórios, tecnológicos e geopolíticos se conectam e afetam o negócio.”
🛡️ Governança como diferencial competitivo
A nova realidade exige que empresas do setor adotem modelos de gestão integrados, capazes de monitorar continuamente indicadores críticos e conectar informações de diferentes áreas. A governança corporativa passa a ser não apenas uma ferramenta de controle, mas um instrumento estratégico de antecipação de riscos.
O levantamento também aponta fragilidades internas: 67% dos líderes de auditoria afirmam que suas equipes ainda não possuem todas as competências técnicas necessárias para lidar com os desafios atuais, e 86% das organizações recorrem a especialistas externos, principalmente em temas de segurança cibernética e auditoria de tecnologia da informação.
“A competitividade do agro continuará sendo construída pela eficiência e inovação, mas dependerá cada vez mais da capacidade de antecipar riscos e fortalecer a governança”, conclui Gomes.
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