Campanha #VotePeloCerrado convoca eleitores ao debate das eleições de 2026
Iniciativa apresenta Carta-Compromisso com oito propostas para proteção das águas, dos territórios, da biodiversidade e dos direitos dos povos do Cerrado
16 de setembro de 2026

No Dia Nacional do Cerrado, celebrado em 11 de setembro, organizações da sociedade civil lançaram a campanha #VotePeloCerrado, uma mobilização que pretende inserir a proteção do bioma e os direitos de seus povos na agenda das eleições de 2026. A iniciativa apresenta uma Carta-Compromisso com o Cerrado e seus Povos, dirigida a candidatas e candidatos aos poderes Executivo e Legislativo, em nível federal e estadual, com oito propostas para orientar programas de governo e atuação parlamentar.
A pergunta que abre a campanha — “Se o Cerrado pudesse votar, o que escolheria?” — resume o objetivo central: defender água, biodiversidade, territórios preservados, agricultura familiar fortalecida e direitos garantidos às populações que vivem e cuidam do bioma.
📱 Mobilização digital e pressão pública
A campanha aposta no ativismo digital para ampliar o alcance das propostas. No site votepelocerrado.org.br, eleitores podem conhecer a Carta-Compromisso e acompanhar quais candidaturas assumem publicamente a defesa do bioma.
Segundo o documento, quem assinar o compromisso deverá manter diálogo permanente com povos do Cerrado, organizações sociais e movimentos ambientais, além de incorporar as propostas ao programa de governo ou à atuação parlamentar, com transparência e prestação de contas.
A mobilização ocorre principalmente no Instagram, por meio da hashtag #VotePeloCerrado, em perfis de seis organizações — ISPN, Rede Cerrado, Instituto Cerrados, Funatura, CPT Nacional e Campanha Cerrado — e conta com apoio de influenciadores digitais.
🔥 Cerrado sob pressão: clima, água e produção em risco
A conservação do Cerrado é apontada por especialistas como uma das principais estratégias para enfrentar crises climática, hídrica e energética no Brasil. Estudos indicam que mais de 50% da vegetação nativa já foi destruída e que os rios do bioma registram redução de 27% na vazão.
A coordenadora do Programa Cerrado do ISPN, Isabel Figueiredo, alerta para o impacto direto na economia:
“O ritmo da conversão do Cerrado em monocultivos está muito acelerado e ameaça a viabilidade da própria produção agrícola.”
A Carta-Compromisso reforça que proteger o bioma é também uma questão de direitos humanos, já que o Cerrado sustenta modos de vida, culturas e economias tradicionais.
💧 O coração das águas do Brasil
Considerado o berço das principais bacias hidrográficas do país — Amazonas, Araguaia/Tocantins, São Francisco e Paraná/Paraguai — o Cerrado abriga aquíferos estratégicos como Urucuia, Bambuí e Guarani. É também território de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais que desenvolvem sistemas próprios de manejo e conservação.
A sociobiodiversidade do bioma sustenta cadeias produtivas de alimentos e matérias-primas como pequi, buriti, baru, babaçu, mangaba, cagaita e flores-sempre-vivas.
Para a secretária executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira, políticas públicas precisam reconhecer essa relação:
“Para os povos do Cerrado, a economia não se separa de território, cultura e conservação.”
O diretor executivo do Instituto Cerrado, Yuri Salmona, reforça a interdependência entre produção agrícola e preservação ambiental:
“Não há agricultura responsável sem preservar o bioma. O desmatamento compromete a previsibilidade climática, a disponibilidade de água e os habitats de polinizadores.”
🤝 Quem está por trás da mobilização
A campanha nasce de articulações como Cerrado, Coração das Águas, Rede Cerrado — que reúne mais de 500 organizações — e a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, formada por mais de 60 entidades. O movimento reúne povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, agricultores familiares, organizações socioambientais e instituições dedicadas à conservação da natureza.
A Carta-Compromisso e suas oito propostas estão disponíveis em: votepelocerrado.org.br



