Brasil tem só 45,5% dos moradores com ao menos três árvores no entorno de casa
Plano Nacional de Arborização Urbana quer elevar esse índice para 65% até 2045 e ampliar em 360 mil hectares a cobertura vegetal nas cidades
4 de setembro de 2026


Apenas 45,5% dos brasileiros vivem em áreas urbanas com ao menos três árvores no entorno de casa, segundo dados que embasam o Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), instituído neste ano pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O programa estabelece metas até 2045 para que estados e municípios incorporem a arborização ao planejamento urbano, com objetivo de elevar o índice para 65% e ampliar em 360 mil hectares a cobertura vegetal nas cidades. A estratégia relaciona o aumento de áreas verdes à redução das ilhas de calor, ao manejo das águas pluviais e à adaptação das cidades às mudanças climáticas.
A tendência já se reflete no mercado imobiliário, especialmente em projetos de grande escala, que passam a tratar árvores, cursos d’água e áreas verdes como infraestrutura urbana — e não apenas como elementos decorativos.
Um exemplo é o Rioparque, bairro planejado de 460 mil metros quadrados em Tijucas (SC), desenvolvido pela Novo Ambiente Urbanismo com projeto paisagístico da JA8 Arquitetura Viva. O empreendimento reúne áreas residenciais, comerciais e de serviços e terá um parque linear público de dois quilômetros, concebido como eixo de integração entre o bairro e os rios Tijucas e Oliveira.
Para a arquiteta Juliana Castro, fundadora da JA8, o projeto representa uma inversão de lógica no urbanismo: primeiro se observa a paisagem, a água e a vegetação; depois se organiza a ocupação. “A árvore deixa de cumprir apenas uma função visual e passa a interferir na sombra, no conforto dos percursos e na permanência das pessoas nos espaços”, afirma.
O conceito, chamado de Urbanismo Orientado pela Paisagem, estrutura o desenho do bairro a partir dos elementos naturais. No Rioparque, os rios funcionam como guias do traçado urbano, que inclui ruas arborizadas, praças, mirantes, trapiches, percursos para pedestres e ciclistas e diferentes pontos de aproximação com a água. A proposta incorpora ainda uma marina para 240 embarcações, open mall, áreas de convivência e equipamentos de lazer. Calçadas largas, mobiliário urbano e fachadas voltadas para os espaços públicos completam o conjunto.
Segundo Ricardo Laus, fundador e CEO da Novo Ambiente Urbanismo, o planejamento desde a origem permite tratar o verde como parte da infraestrutura. “A relação com os rios, o parque linear, a marina e os espaços de convivência faz parte do desenho desde a origem do projeto”, afirma.
O Rioparque ilustra como o PlaNAU pode influenciar novos padrões de urbanização, aproximando cidades de uma lógica em que natureza e infraestrutura caminham juntas — e em que a presença de árvores deixa de ser exceção para se tornar regra.

