Timótea: filhote de anta resgatada pela Fundação Florestal ganha quatro quilos e se recupera de cirurgia
Com apenas cerca de 20 dias de vida quando foi encontrada, "jardineira das florestas" mobilizou equipes no entorno do Parque Estadual Morro do Diabo
13 de outubro de 2026

Uma operação de resgate mobilizou equipes ambientais no entorno do Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), após uma filhote de anta-brasileira (Tapirus terrestris) ser encontrada com fraturas e apenas cerca de 20 dias de vida. O animal, batizado de Timótea, foi localizado no início de setembro em um canavial e socorrido pela Fundação Florestal, vinculada à Semil, em parceria com a Usina Atvos.
A filhote chegou ao atendimento veterinário com 13 quilos e hoje pesa aproximadamente 17 quilos. Ela passou por cirurgia para tratar fraturas na tíbia e na fíbula e segue em acompanhamento por conta de uma fratura pélvica. Segundo os técnicos, a evolução é positiva, embora o quadro ainda exija cautela.
Resgate começou ao amanhecer
Por volta das 6h30, equipes da Atvos acionaram a Fundação Florestal após encontrarem o animal caído e com ferimentos na perna. A suspeita é de que a anta tenha sofrido uma queda em um desnível do terreno. A busca pela filhote exigiu percorrer cerca de quatro quilômetros — dificuldade ampliada pela pelagem rajada, que funciona como camuflagem natural.
“Ela realmente precisava de atendimento rápido. Fizemos a imobilização inicial e, a partir dali, várias equipes se mobilizaram para garantir o tratamento adequado”, relata Andrea Pires, diretora de Biodiversidade da Fundação Florestal.
Após os primeiros cuidados, Timótea foi levada à base da Polícia Militar Ambiental e, em seguida, encaminhada ao Instituto APASS, em Assis, onde permanece sob atendimento especializado.
Recuperação monitorada
Exames identificaram fraturas na tíbia, na fíbula e na pelve. A cirurgia para estabilização das fraturas das pernas envolveu a colocação de uma placa. A fratura pélvica segue em acompanhamento. Novas radiografias devem avaliar a consolidação óssea e a necessidade de manter ou retirar a placa.
Apesar da boa evolução, o prognóstico ainda é reservado.
“Ela está se alimentando bem e ganhando peso, mas precisamos aguardar a cicatrização e avaliar se o membro será totalmente funcional”, explica Andrea.
Possibilidade de soltura ainda é incerta
A equipe reforça que é cedo para prever se Timótea poderá retornar à natureza. Além da recuperação clínica completa, seria necessário avaliar comportamento, mobilidade e capacidade de sobrevivência em ambiente natural. A idade da filhote torna o processo ainda mais delicado: antas permanecem com a mãe por até dois anos, período essencial para aprendizado.
“Nossa prioridade é a recuperação e o bem-estar do animal. Qualquer decisão sobre soltura dependerá de avaliações futuras”, afirma Andrea.
A importância da espécie
A anta-brasileira é o maior mamífero terrestre do país e desempenha papel fundamental na regeneração da vegetação ao dispersar sementes — característica que lhe rendeu o apelido de “jardineira das florestas”. A presença da espécie no entorno do Morro do Diabo reforça a relevância dos remanescentes de Mata Atlântica no oeste paulista e da manutenção de corredores seguros para a fauna.
O resgate de Timótea envolveu a Fundação Florestal, a Usina Atvos, a Polícia Militar Ambiental e o Instituto APASS, que segue acompanhando sua recuperação.
Leia também

Zoológico de São Paulo registra nascimento de quatro corujas-águia
13 de outubro de 2026

Projeto de conservação da preguiça-de-coleira impulsiona criação de instituto e ganha destaque internacional
7 de outubro de 2026

De cavalo-marinho a tubarão: como tratadores cuidam de 170 espécies em aquário de SC
5 de outubro de 2026
