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Cultura

Mostra “Fogo-fátuo” marca estreia paulistana da artista Sandra Gonçalves com reflexão ecológica e histórica

A sobreposição das imagens são ressignificadas adquirindo nova vida e gerando uma interferência no agora

21 de setembro de 2026

A fotógrafa Sandra Gonçalves, que abre mosta solo na OMA Galeria
A fotógrafa Sandra Gonçalves, que abre mosta solo na OMA GaleriaFoto: Andrea Graiz

A artista visual carioca Sandra Gonçalves, professora e pesquisadora da UFRGS, chega pela primeira vez ao circuito expositivo paulistano com a mostra “Fogo-fátuo”, que será inaugurada em 26 de setembro de 2026, às 10h, na OMA Galeria, na Vila Mariana. Com curadoria de Eder Chiodetto, a exposição reúne 14 fotografias coloridas centradas na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro — reconhecida como a maior floresta urbana replantada do mundo, após ter sido devastada entre os séculos XVIII e XIX e recuperada no período imperial.

Do conjunto, 12 imagens verticais (120 x 90 cm) retratam o bioma da Mata Atlântica e sua fauna — macaco, onça, beija-flor, arara, capivara, entre outros. Uma fotografia de 110 x 150 cm destaca a memória dos escravizados que participaram do reflorestamento da região a partir de 1861, sempre por meio de sobreposições, sem uso de dupla exposição. Completa a série uma imagem horizontal de 80 x 120 cm, que registra o voo panorâmico de duas araras.

O título da série inédita remete ao fenômeno natural do fogo-fátuo, chama azulada ou esverdeada que surge por alguns segundos sobre áreas pantanosas e cemitérios — conhecido popularmente como “fogo tolo”, “fogo corredor”, “boitatá” ou “João-galafoice”.

Algumas obras já circularam por espaços culturais ao longo de 2026, como as mostras “Poéticas da Resistência” (Aliança Francesa de Botafogo), “Inverter os Ocasos” (Ateliê 31, na ArtRio), o Festival de Fotografia de São Paulo, a Projeção Série do Festival de Fotografia de Paranapiacaba e a exposição “Nossa Geografia”, no Sesc Paraná, em Ponta Grossa.

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Em texto crítico, Chiodetto observa que, nas imagens, “a floresta retorna outra; os animais reencontram um território transformado; a memória reaparece em novas camadas; a imagem recompõe o visível sem jamais estabilizá-lo. O que persiste não é a pureza de uma origem, mas a possibilidade de a vida voltar a acontecer à revelia do bicho homem”.

Predadores naturais

A série também ecoa reflexões presentes em A Queda do Céu, do xamã yanomami Davi Kopenawa, para quem “o homem branco é um comedor de terra e tem paixão pela mercadoria”, agindo como “fantasmas” que já não escutam a natureza. Em “Fogo-fátuo”, Gonçalves tensiona a ilusão de controle que sustenta a lógica civilizatória contemporânea — a ideia de que é possível extrair, destruir e repor recursos naturais como se fossem meras commodities.

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