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Agro

Brasil planta menos algodão, mas deve colher produtividade recorde

Avaliações do Rally da Safra e mapeamento por satélite mostram efeitos do clima, da irrigação e das decisões econômicas sobre a safra estimada em 4,4 milhões de toneladas

9 de setembro de 2026

No Mato Grosso, principal estado produtor, a área plantada recuou, mas a produtividade bateu recorde
No Mato Grosso, principal estado produtor, a área plantada recuou, mas a produtividade bateu recordeFoto: Divulgação/Rally da Safra

A safra brasileira de algodão 2025/26 deve confirmar um cenário de menor área plantada, mas produtividade acima das expectativas, segundo diagnóstico da Etapa Algodão do Rally da Safra. O levantamento, conduzido pela Agroconsult, combinou visitas técnicas a produtores de Mato Grosso e Bahia com mapeamento por satélite nas principais regiões produtoras.

A área cultivada está estimada em 2,07 milhões de hectares, queda de 6,3% em relação ao ciclo anterior. O recuo é mais intenso em Mato Grosso, onde a redução chega a 9,4%. Mesmo assim, as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras e devem garantir produtividades recordes nos dois estados.

A produção nacional é projetada em 4,41 milhões de toneladas, com possibilidade de acréscimo de até 100 mil toneladas, dependendo do rendimento final da pluma. Até 3 de setembro, 35% do volume havia sido beneficiado.

“É uma safra em que a redução da área não implica queda de produção. O ganho de produtividade observado em campo reflete clima, tecnologia e manejo. Ainda assim, é preciso cautela, já que dois terços da pluma ainda serão beneficiados”, afirma Heloisa Melo, sócia-diretora da Agroconsult.

Bahia: avanço da irrigação e produtividade histórica

Na Bahia, o mapeamento por satélite identificou 425,7 mil hectares cultivados, leve alta de 0,2% sobre a temporada anterior. O estado registrou uma mudança estrutural: enquanto a área de sequeiro caiu 7%, a irrigada cresceu 12%, passando a representar 44% do total.

A produção de pluma deve alcançar 982 mil toneladas, alta de 23,2%, impulsionada por uma produtividade recorde de 368 arrobas por hectare. As equipes do Rally percorreram o Oeste baiano entre 27 de julho e 1º de agosto, cobrindo 36,4% da área plantada.

O clima teve papel decisivo. As lavouras de sequeiro, plantadas até dezembro, superaram inclusive o desempenho das áreas irrigadas semeadas entre janeiro e fevereiro.

Mato Grosso: área menor, produtividade maior

Em Mato Grosso, principal produtor nacional, a área caiu para 1,42 milhão de hectares, reflexo de decisões econômicas diante dos preços do algodão e da maior atratividade do milho como segunda safra. A retração foi observada em diversas regiões, especialmente no Vale do Araguaia e no Médio-Norte.

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Apesar disso, a produtividade deve atingir 337 arrobas por hectare, novo recorde estadual. A produção de pluma é estimada em 3 milhões de toneladas. Chuvas regulares entre abril e junho garantiram bom desenvolvimento das lavouras.

As equipes do Rally visitaram municípios como Rondonópolis, Primavera do Leste, Campo Verde, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sapezal, cobrindo 59,2% da área plantada.

Pontos de atenção: clima e qualidade da fibra Com apenas um terço da pluma beneficiada, os números finais ainda dependem do rendimento das próximas semanas. Em algumas regiões, chuvas tardias afetaram a qualidade visual da fibra, reduzindo brilho e brancura, além de aumentar impurezas no beneficiamento.

Caruru preocupa e deve exigir novas tecnologias O caruru aparece como um dos principais desafios da safra, especialmente no oeste de Mato Grosso, com registros pontuais também na Bahia. Para 2026/27, a expectativa é de maior adoção de variedades e tecnologias voltadas ao controle de plantas daninhas resistentes, além de ajustes no manejo da sucessão com soja.

Brasil ganha espaço no mercado internacional Segundo Heloísa Melo, os resultados reforçam o avanço do Brasil no cenário global. Na temporada 2025/26, Mato Grosso aparece como terceiro maior produtor mundial, à frente dos Estados Unidos. A Bahia voltou a superar a Austrália, repetindo o desempenho de 2019/20.

“O avanço da oferta brasileira ocorre em um mercado pressionado pela queda de produção em outros países. Ganhos de produtividade e qualidade seguem essenciais para ampliar competitividade”, afirma.

Diagnóstico mais preciso da produção nacional

A Etapa Algodão, realizada pela segunda vez em 2026, integra a experiência acumulada pelo Rally da Safra em 23 anos, com 1,5 milhão de quilômetros percorridos e 35 mil lavouras avaliadas. O diagnóstico combina mapeamento por satélite e observações de campo, permitindo identificar não apenas a área plantada, mas também como clima, manejo e decisões econômicas moldam a produção.

Os dados finais ainda podem ser atualizados conforme avança o beneficiamento.

A iniciativa conta com patrocínio de Basf, FiberMax, Laferlins, ADM, TIM, Mitsubishi Motors, Xarvio, Mediterranean, Itaú BBA, Tama, Yara e Brado Logística, além do apoio institucional da ANEA e da ABRAPA.

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