Brasil perde 39,5% da água tratada, e eficiência dos edifícios começa antes da obra
Enquanto perdas na rede equivalem a 4,8 mil piscinas olímpicas por dia, projetos imobiliários incorporam soluções para reduzir o consumo de água desde a especificação dos empreendimentos
13 de outubro de 2026

Enquanto o Brasil desperdiça 39,53% da água tratada antes que ela chegue às torneiras — o equivalente a 4,8 mil piscinas olímpicas por dia — o setor imobiliário avança em soluções que reduzem o consumo hídrico desde a fase de projeto dos empreendimentos. Os dados integram o Estudo de Perdas de Água 2026, do Instituto Trata Brasil e da GO Associados, divulgado em junho, com base no SINISA (2024). Segundo o levantamento, o volume perdido seria suficiente para abastecer 77 milhões de brasileiros por um ano.
Rede pública distante da meta
A Portaria MCID nº 788/2024 estabelece que municípios beneficiados por recursos federais devem reduzir as perdas para 30% entre 2026 e 2032 e 25% a partir de 2033. Hoje, apenas 12 dos 100 maiores municípios atendem simultaneamente aos parâmetros de perdas e consumo por ligação. Se o país atingisse o índice de 25%, economizaria 2,8 bilhões de m³ de água por ano.
A modernização da rede, a detecção de vazamentos e o controle das perdas dependem de investimentos das concessionárias e do poder público. No ambiente construído, porém, parte da resposta pode ser antecipada no desenho dos edifícios.
Eficiência hídrica começa no projeto
Construtoras e incorporadoras têm incorporado soluções que reduzem o consumo de água desde a especificação dos empreendimentos. Equipamentos sanitários de menor consumo, dispositivos de controle de vazão, torneiras temporizadas e sistemas de aproveitamento de água pluvial ou reúso de águas cinzas são definidos ainda na fase de projeto.
Um estudo da UDESC, apresentado no Simpósio Nacional de Sistemas Prediais (2023), estimou que a captação de água da chuva em um edifício residencial multifamiliar de Joinville poderia reduzir em 31,55% o consumo de água potável. O reúso de águas cinzas poderia gerar economia de 21,71%. Os autores ressaltam que a viabilidade depende de fatores como sazonalidade das chuvas e custos de implantação, mas reforçam o impacto das decisões de projeto.
Diferentemente de medidas baseadas em comportamento, essas soluções passam a operar desde a entrega das chaves, garantindo eficiência contínua ao longo da vida útil do edifício.
Escolhas que moldam o consumo
Na Vanguard, a eficiência hídrica é definida antes da obra. Segundo Fernando Fabian, diretor corporativo da Plaenge, antecipar essas decisões transforma a economia de água em característica permanente:
“São escolhas de engenharia que reduzem o consumo do edifício como um todo e não exigem mudança de hábito dos moradores. A eficiência já nasce incorporada à operação.”
Entre as soluções adotadas estão caixas acopladas de alto desempenho, redutores de vazão, torneiras temporizadas em áreas comuns e uso de água da chuva para limpeza.
Pressão sobre recursos hídricos reforça papel do setor
O controle das perdas na rede e a redução do consumo nos edifícios atuam em etapas distintas do abastecimento, mas respondem ao mesmo desafio: usar a água disponível com maior eficiência. Projetar edificações mais econômicas não substitui os investimentos necessários na infraestrutura pública, mas amplia a contribuição do ambiente construído para a preservação dos recursos hídricos — e ajuda a reduzir a demanda desde a origem.
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