BNDES financia R$ 200 milhões para ampliar restauração ecológica na Amazônia em parceria com a Mombak
Financiamento integra a estratégia do BNDES para o setor florestal, que já mobilizou R$ 14,6 bilhões para o plantio de 354 milhões de árvores, geração de 89 mil empregos verdes e remoção de 68 milhões de toneladas de CO₂ equivalente da atmosfera
22 de setembro de 2026

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um novo financiamento de R$ 200 milhões para o grupo Mombak, destinado à recuperação de 7,2 mil hectares de áreas degradadas na Amazônia, sobretudo no Pará. A operação, viabilizada com recursos do Fundo Clima, integra a estratégia do banco para expandir projetos florestais de larga escala e fortalecer a economia da restauração.
O investimento total previsto para o projeto é de R$ 457 milhões, dos quais o BNDES responde por cerca de 44%. O restante será aportado pela Mombak por meio de outras fontes de financiamento.
Financiamento de longo prazo e foco em áreas degradadas pela pecuária Os recursos são provenientes da linha Fundo Clima – Florestas Nativas e Recursos Hídricos, voltada ao plantio de espécies nativas, sistemas agroflorestais e ações de recomposição da vegetação. O contrato terá prazo total de 25 anos.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, projetos de restauração em escala “permitem recuperar áreas degradadas, gerar emprego e estruturar uma atividade econômica baseada na floresta em pé”, destacando que o Fundo Clima oferece condições compatíveis com o ciclo de investimentos florestais.
A Mombak concentrará as ações em áreas degradadas pela pecuária extensiva, com atividades que incluem preparo do solo, plantio, manejo, aquisição de mudas e sementes, manutenção e monitoramento florestal.
Técnicas de restauração e espécies nativas
A implantação ocorrerá ao longo de quatro anos, combinando diferentes métodos conforme as condições de cada área: plantio de mudas, semeadura direta e regeneração natural assistida. A estimativa é que 90% da área utilize plantio e semeadura, enquanto 10% será recuperada por regeneração assistida.
Entre as espécies selecionadas estão castanheira, paricá, ipê-amarelo, ipê-roxo, angelim-vermelho, samaúma, tachi-branco, fava-arara, mogno-brasileiro e amarelão, escolhidas para acelerar a formação da cobertura florestal e favorecer a biodiversidade.
Impacto socioeconômico e geração de créditos de carbono
Durante a fase de implantação, o projeto deve gerar até 440 empregos diretos e 65 indiretos. Após essa etapa, a manutenção das áreas restauradas deve sustentar cerca de 50 postos de trabalho. A operação também deve estimular cadeias locais de sementes, mudas e serviços florestais.
A previsão é que o financiamento resulte na geração de até 4,7 milhões de créditos de remoção de carbono, que poderão ser comercializados tanto no mercado voluntário quanto em futuros mercados regulados.
Para a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, a restauração vai além da captura de carbono: “protege o solo e os recursos hídricos, reconecta áreas de floresta, amplia habitats e fortalece cadeias produtivas ligadas à restauração”.
Segunda parceria entre BNDES e Mombak
Esta é a segunda operação entre o banco e a Mombak. A primeira, contratada em janeiro de 2025, destinou R$ 160 milhões para recuperar 13 mil hectares no bioma Amazônia — dos quais 9,4 mil hectares já haviam sido implantados até junho de 2026. Somadas, as duas operações totalizam R$ 360 milhões em financiamentos e cerca de 20,2 mil hectares em restauração.
Estratégia BNDES Florestas
O projeto integra a iniciativa BNDES Florestas, que reúne ações de crédito, recursos não reembolsáveis e investimentos para restauração ecológica, conservação, bioeconomia e geração de ativos ambientais. Segundo o banco, já foram mobilizados R$ 14,6 bilhões para o plantio de 354 milhões de árvores, criação de 89 mil empregos verdes e remoção de 68 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.


