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Agricultura por dados deixa de ser tendência e se consolida como estratégia

Com custos mais elevados, oscilações de mercado e margens mais apertadas, acompanhamento técnico ajuda produtores a tomar decisões mais seguras e evitar prejuízos na comercialização de grãos

23 de julho de 2026

Agricultura por dados deixa de ser tendência e se consolida como estratégia

A experiência continua sendo um ativo importante para produtores rurais, mas já não é suficiente para definir o melhor momento de comercializar a safra. Com juros altos, custos de produção crescentes, incertezas climáticas e mercados voláteis, a análise de dados passou a ocupar um papel central na gestão das propriedades. Mais do que acompanhar a cotação da soja ou do milho, agricultores buscam informações que ajudem a proteger a margem de lucro e reduzir riscos ao longo do ciclo produtivo.

Para a analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, Yedda Monteiro, decisões comerciais precisam partir da realidade de cada propriedade. Custos por saca, necessidade de caixa, produtividade esperada, capacidade de armazenagem e percentual já vendido são alguns dos indicadores que, segundo ela, sustentam uma estratégia mais consistente.

Experiência ajuda, mas não garante resultado A vivência no campo segue sendo essencial, mas repetir decisões que funcionaram em anos anteriores pode ser arriscado em um mercado que muda rapidamente. Custos, juros, câmbio, demanda internacional e fatores geopolíticos variam de uma safra para outra, o que torna insuficiente basear a comercialização apenas na experiência acumulada.

“A experiência é indispensável, especialmente na produção. Mas ela pode limitar quando o produtor tenta repetir uma decisão tomada em outro ciclo, com custos, juros e condições de mercado completamente diferentes”, afirma Monteiro.

Segundo a especialista, é comum acreditar que preço maior significa, automaticamente, melhor negócio. Também é frequente concentrar toda a venda em um único momento, esperar indefinidamente por uma alta ou ignorar custos como juros, frete e armazenagem, que podem comprometer a rentabilidade.

“Quando o mercado sobe, surge o receio de vender cedo. Quando cai, cresce a expectativa de recuperação. E quando fica lateral, a decisão é adiada. A comercialização deixa de seguir uma estratégia e passa a responder à urgência”, explica.

Planejamento reduz riscos e organiza o caixa

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A Biond Agro recomenda que o planejamento comercial comece antes da colheita. A orientação é construir um orçamento que considere custos por saca, despesas financeiras, logística, necessidade de caixa e margem desejada. Com essas informações, o produtor consegue definir faixas de preço e avançar na comercialização de forma gradual, sem depender de acertar o pico do mercado.

A estratégia também leva em conta fatores que influenciam diretamente o preço recebido pelo produtor brasileiro, como câmbio, prêmio, basis regional, frete e comportamento da demanda — evitando decisões baseadas apenas nas oscilações da Bolsa de Chicago.

Ao cruzar dados da propriedade com informações de mercado, o agricultor passa a visualizar quanto já foi vendido, qual parte da produção está protegida financeiramente e quanto ainda pode ser negociado. Isso ajuda a organizar o fluxo de caixa, reduzir vendas motivadas por necessidade imediata e preservar liquidez ao longo da safra.

Tecnologia amplia capacidade de gestão

O uso de dados também fortalece o planejamento das propriedades diante de margens menores, custos logísticos elevados, dependência de insumos importados e maior risco climático. Para Yedda Monteiro, a tecnologia se tornou uma aliada para decisões mais rápidas e precisas.

“A tecnologia transforma dados de campo e de mercado em decisões mais ágeis, antecipando riscos e direcionando recursos para onde há maior retorno. Propriedades que integram gestão agronômica, financeira e comercial produzem com menos desperdício, planejam melhor seus investimentos e enfrentam oscilações climáticas e de mercado com mais capacidade de adaptação”, afirma.

Nesse contexto, a agricultura orientada por dados deixa de ser tendência e se consolida como ferramenta de gestão. O foco deixa de ser apenas buscar o maior preço da safra e passa a ser construir resultados consistentes, preservando rentabilidade e garantindo segurança financeira ao produtor.

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