O mercado brasileiro de biogás e biometano segue em trajetória de expansão e consolidação como um dos pilares da transição energética do País. De acordo com o Panorama do Biogás no Brasil, o cenário aponta um crescimento acelerado, com investimentos significativos e avanços regulatórios. “Novas plantas de produção e o grande potencial do setor sucroenergético colocam o Brasil em posição de destaque”, explica Stephanny Maciel, responsável pelos segmentos de Power e Descarbonização Industrial da Vaisala no Brasil e Cone Sul da América Latina.
O Brasil possui mais de 1600 plantas de biogás em operação e os sinais de mercado indicam que a curva de crescimento seguirá positiva nos próximos anos. “Impulsionada principalmente por novos projetos de biometano, pela entrada em vigor da Lei do Combustível do Futuro e pelo maior interesse de grandes players em contratos de longo prazo”, menciona Stephanny.
A adoção de tecnologias adequadas, especialmente no contexto da cadeia do biogás, é um dos principais alicerces para garantir que a expansão do setor ocorra de forma sustentável e economicamente viável, conforme destaca Tiago Santovito, diretor executivo da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás).
Essas soluções são fundamentais para viabilizar diferentes aplicações do biogás, como a geração de eletricidade, a produção de calor e a substituição de combustíveis fósseis, contribuindo para o aumento da eficiência, a redução de emissões e a consolidação de um modelo energético mais limpo e competitivo. “O biogás é gerado a partir da decomposição anaeróbica de resíduos orgânicos, um processo no qual microrganismos atuam em ambiente sem oxigênio. As tecnologias de biogás são empregadas em múltiplos segmentos, incluindo o tratamento de resíduos domésticos e agrícolas, bem como a gestão de resíduos industriais e efluentes sanitário”, sintetiza Santovito.

Para Stephanny Maciel, da Vaisala, soluções tecnológicas aplicadas às plantas de biogás contribuem para a redução de custos no longo prazo, aumento da eficiência operacional e melhoria da qualidade do gás produzido. “Além disso, a escolha correta dessas tecnologias impacta diretamente na mitigação de riscos ambientais e regulatórios, um fator cada vez mais relevante em um mercado que se profissionaliza rapidamente”, acrescenta Stephanny.
Ela reforça ainda que, no contexto da inovação e eficiência na produção, estratégias que otimizam a produção de biogás e biometano tornam-se decisivas para o sucesso dos projetos. “Fontes renováveis são como peças-chave da transição energética e do desenvolvimento sustentável. Empresas com tecnologias que tornam os empreendimentos mais eficientes, confiáveis e escaláveis, acabam por sair na frente nesse pioneirismo”, garante.
Tecnologia para mitigar mudanças climáticas
Globalmente posicionada em medições ambientais e industriais, a Vaisala alia metas próprias de sustentabilidade a um portfólio de soluções voltadas à mitigação das mudanças climáticas. No segmento de biogás e biometano, isso se traduz em investimentos contínuos em inovação para que cada planta consiga extrair mais energia limpa por tonelada de resíduo, com menor impacto ambiental e maior segurança operacional.
Um dos destaques é o desenvolvimento do primeiro sensor capaz de medir, de forma online e em linha — diretamente no processo —, três parâmetros fundamentais para o controle do biogás: metano, dióxido de carbono e umidade. “Essa tecnologia já recebeu diversos reconhecimentos internacionais, incluindo prêmios na categoria de inovações voltadas à economia circular e à neutralidade de carbono, reforçando o papel da Vaisala como referência em soluções que impulsionam a transição energética”, sintetiza Stephanny.
O diretor executivo da Abiogás, Tiago Santovito, explica também que, fazer uso de tecnologias que ajudem a alcançar todo potencial brasileiro do biometano, significa garantir a redução de até cinco vezes a importação de gás natural, GLP e diesel. “E ainda uma segurança energética, com intensa redução da dependência de combustíveis fósseis, promovendo a descarbonização de setores intensivos em energia”, destaca o executivo. “E na cadeia do biogás, além da promoção da economia circular, é a possibilidade de gerar milhares de emprego e investimentos de até de R$ 350 bilhões no País”, acrescenta.