Celebrado em 22 de março, o Dia Mundial da Água chama a atenção para a importância de preservar um dos recursos mais essenciais do planeta. Em meio à necessidade de recuperar águas poluídas, uma tecnologia brasileira aposta em uma solução baseada na própria natureza.
O desafio é grande: o Brasil soma aproximadamente 110 mil quilômetros de rios poluídos — o equivalente a dar três voltas ao redor da Terra.
Batizado de Caravela, o sistema foi desenvolvido pela startup Infinito Mare e utiliza algas nativas para ajudar a limpar rios, lagos e áreas costeiras. Em um ano de operação, cada unidade pode gerar créditos de carbono equivalentes ao que seis árvores levariam cerca de 20 anos para capturar.
A Caravela funciona como uma estação flutuante inteligente que monitora e ajuda a recuperar ambientes aquáticos. O equipamento estimula o crescimento de algas nativas, capazes de absorver poluentes, capturar carbono e aumentar a oxigenação da água.
Periodicamente, essas algas são retiradas para remover as impurezas acumuladas e permitir análises que indicam a qualidade da água e os tipos de contaminantes presentes.
Assim, o sistema atua ao mesmo tempo como ferramenta de despoluição e monitoramento ambiental.
“A Caravela funciona como uma espécie de esponja natural. Usamos as algas do próprio local para que, por meio da fotossíntese diária, elas removam poluentes e ajudem a descontaminar a água”, explica Bruno Libardoni, CEO da Infinito Mare.
Um exemplo prático ocorreu em 2025, na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. Em três meses de operação, a filtragem das águas ajudou a evitar a emissão de 92 toneladas de CO₂ na atmosfera.
A solução foi acelerada em 2024 pelo Green Sampa, programa da Prefeitura de São Paulo voltada ao fortalecimento de negócios de economia verde e impacto socioambiental. Atualmente, a Infinito Mare tem capacidade para produzir até 200 unidades do barco despoluidor por mês e oferece a solução para indústrias que precisam despoluir mananciais, empresas que tem programas estruturados de ESG ou companhias de saneamento, hidrelétricas e portos.
A Agência São Paulo de Desenvolvimento, gestora do programa Green Sampa, abre inscrições para a aceleração no segundo semestre de 2026 e busca atrair projetos de impacto social e ambiental, como é o caso da Caravela.